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Publicado em 10/01/2014
Automóveis e combustíveis impulsionaram a indústria nacional de janeiro a novembro de 2013. Foi o ano do incentivo ao trânsito. Dos quatro itens mais produzidos no período, apenas um não teve relação direta com o setor automotivo: o de máquinas e equipamentos agrícolas, favorecido pela supersafra de grãos. A Produção Industrial Mensal — Produção Física (PIM-PF), divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revela alta expressiva da fabricação de veículos automotores; de combustíveis (sobretudo, gasolina, óleo diesel e óleo combustível); e de outros equipamentos de transporte. No grupo de automotores estão incluídos, além dos carros de passeio, caminhões, ônibus e partes e peças.
Com a ajuda de desoneração tributária para a compra de veículos e da facilitação do crédito pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDES) para a aquisição de caminhões, o setor de automotores cresceu 9% de janeiro a novembro, a maior alta da indústria nesse intervalo. Os combustíveis vieram logo em seguida, com crescimento de 7,7%. Nesse caso, o avanço foi motivado não só pelo aumento do número de veículos nas ruas e estradas, mas também pela estratégia da Petrobras, produtora dos combustíveis, de reduzir a importação e os custos a partir da operação de suas refinarias em patamares altos, segundo o gerente de Coordenação de Indústria do IBGE, André Macedo.
De janeiro a novembro, a produção nas refinarias cresceu 6,1%, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). A maior alta foi a da fabricação de gasolina, de 9,6%, comparada a igual período do ano anterior, o que representou uma produção de 26,3 bilhões de litros. A produção de óleo diesel cresceu 9,2% (45,4 bilhões de litros) e a de óleo combustível, 9,1% (13,5 bilhões de litros). Como consequência, caíram as importações da gasolina (-21%) e do óleo combustível (-49,3%). Mas a compra no mercado externo de óleo diesel, utilizado nas estradas principalmente para o transporte de agrícolas, continua crescendo. Nos 11 meses do ano passado, a importação subiu 49,3%.
“É claro que o dinheiro público seria melhor aplicado em transporte coletivo do que subsidiando a compra de automóveis e de combustíveis fósseis. Mas, o automóvel não é um mal em si. A aspiração à mobilidade individual é legítima. Seria perverso com a dita classe C , de novos consumidores, dizer o contrário. O que não pode é usar o carro para ir e voltar ao trabalho diariamente. Tem que ter mais inteligência de transporte”, opina o ex-presidente do IBGE e ambientalista, Sérgio Besserman.
O incentivo ao setor automotivo e, consequentemente, ao de combustíveis desagrada também a outros segmentos industriais. O secretário da presidência da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Carlos Pastoriza, considera as medidas do governo de facilitação a um privilégio concedido. “A proteção tarifária é pornográfica”, contesta ele, em referência à desoneração do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI).
Os bens de capital, representados pela Abimaq, no entanto, foram os que mais cresceram de janeiro a novembro, 14,2%, frente à média das categorias de uso da indústria de 1,4%. Pastoriza argumenta, contudo, que essa alta está relacionada ao avanço das máquinas e equipamentos agrícolas e não àquelas voltadas ao segmento industrial. “O segmento de máquinas agrícolas é um dos poucos que demonstram resultado positivo neste ano, por causa da supersafra e porque não sofreram tanto com a concorrência de importados”, diz Pastoriza.
Pelas contas da Abimaq, a categoria de bens de capital acumulou queda de faturamento de 5% em 2013, em relação ao ano anterior. Para 2014, a expectativa é de desaceleração, já iniciada no fim deste ano. A produção de bens de capital caiu 2,6% de outubro para novembro, a primeira queda desde julho (-4,5%).
Pelas sondagens do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV), a intenção de investimento em máquinas e equipamentos pela indústria começou a perder ritmo ainda no segundo semestre do ano passado, tendo alcançado o menor patamar registrado desde 2009. A motivação está, segundo o economista Aloisio Campelo, na desaceleração da economia e também na antecipação de compras nos primeiros meses de 2013.
Já para combustíveis, a expectativa do economista é de continuidade do crescimento da produção. Mas, para automóveis, não. “Seja por causa da antecipação das compras, do endividamento das famílias ou da maior dificuldade de acesso ao crédito”, afirma.
Fonte: Brasil Econômico
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